 Hizketch é um mundo insano, recheado de pessoas loucas, situações confusas e aventuras fantásticas.
Contos de Hizketch trata apenas de compilá-las para que pessoas igualmente insanas leiam.
Capítulos novos serão postados a cada semana, exceto quando o autor se encontrar impossibilitado, ou quando os leitores abandonarem o site de vez.
Novidades, curiosidades e brincadeiras: Veja a Taverna de Skoll
 0 - Mad World
1 - The Message
2 - Absolute Begginers
3 – Games Without Frontiers
4 – Welcome to the Jungle
5 – Everybody's Problem
6 – Trouble
7 – Heat of the Moment
8 – Rumors
9 – Who Can It Be Now
10 – Where Is My Mind?
11 – I Remember You
12 – I Want Action
13 – Sailing
14 – Sailor Man
15 – Live for Tomorrow!
16 – Open Letter
17 – Sledgehammer
18 – Treat Me Right
19 – Here We Are
20 – Stone Cold
21 – Do You really Want to Hurt Me
22 – Super Trouper

Taverna de Skoll
DeviantArt dos Contos de Hizketch
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iSketch Awards 2005
iSketch Awards 2006
iSketch Awards 2007
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Contato
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Sexta-feira, Setembro 05, 2008
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Bem, está para sair os capítuloS novoS
Escriturado por: Sir Refevas
Comentários:
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Sexta-feira, Maio 23, 2008
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Alguém avisa o Sir Refevas que a greve de roteiristas acabou faz tempo?
Escriturado por: Sir Refevas
Comentários:
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Sábado, Abril 26, 2008
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Por enquanto sem capítulos novos, até terminar de editar o quase pronto arquivo de áudio do Isketch Awards 2008.
Grato.
Escriturado por: Sir Refevas
Comentários:
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Sexta-feira, Abril 11, 2008
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Capítulo 22 – Super Trouper - Parte 1
O Grande Torneio de Tandem-Rum é o nome do jogo que é um dos acontecimentos mais marcantes em Hizketch. Realizado a cada dois anos em uma gigantesca arena na maior cidade do Reino de Tandem, Tandem-Rum, o Torneio atraía um número incrível de participantes e um número incrivelmente maior de público, entusiasmados com os dois principais atrativos do Torneio. O primeiro deles era a premiação. A comissão organizadora do Torneio trazia prêmios incríveis, geralmente prêmios menores, como jantares e moedas de ouro, combinados com algum prêmio estupendo, como já foi o caso do famoso Anel da Invisibilidade, do Grande Apito Amarelo, de gema Olhos-de-Anjo, de uma casa-ilha na costa do continente de Eive e da Espada Parkinson. E o vencedor leva tudo. Ou melhor, os vencedores, e este era o segundo atrativo principal do Torneio: ele era realizado em duplas. As regras eram simples, combates classificatórios de duas duplas, cada participante usando apenas uma arma, a dupla vencedora passava para a próxima fase e a dupla perdedora era eliminada da competição. Uma dupla era considerada vencedora se os dois integrantes da dupla adversária desistissem, ficassem inconscientes ou falecessem, este último desfecho era mal-visto pelo público e quem vencia desta forma perdia muitos torcedores nas demais fases do torneio. Este ano, porém, haveriam duas mudanças nas regras: Pela primeira vez o torneio seria disputado em trios. Os organizadores do Torneio esperavam com isto um aumento de interesse do público com o aumento de participantes. E pela primeira vez seria desclassificado quem matasse alguém do trio adversário. Os organizadores do Torneio esperavam com isto um aumento de interesse do público e um gasto menor com as seguradoras dos participantes. Claro que, como um dos eventos mais esperados de Hizketch, nossos heróis estavam cientes do Torneio. Sir Pelicanus, Sir Markytus e Sir Tchelus até planejaram formar um trio para participar, mas tudo o que aconteceu depois da invasão de Art, o aviso de Cohim e os planos da Rainha e de Tchelus, fez com que nossos heróis colocassem o Torneio em segundo plano, até descobrirem que a Espada Tablet seria o prêmio desta edição do Torneio.
Dentro da Caverna Alegre, nossos heróis decidiram participar do Torneio. Esta era a melhor das únicas duas idéias sugeridas. A outra era atacar os Organizadores, os moradores de Tandem-Rum, os participantes do Torneio e qualquer outro grupo que resolvesse defender a Espada. Obviamente esta era uma idéia estúpida, logo foi guardada para ser usada caso a primeira idéia falhasse. O único problema é que eram dez heróis. Todos eles sabiam que o Torneio deste ano seria em trios, afinal esta informação estava em todos panfletos e cartazes. Dez heróis resultariam em três trios e uma pessoa sozinha. Pensando nisto, e já presumindo que seria a pessoa sozinha, Samuel sugeriu que Elle e Maind ajudassem a formar quatro trios. As duas aceitaram a sugestão, Maind adorou a idéia, pois teria uma chance de enfrentar o seu rival em uma arena e fazer ele sofrer uma humilhação pública. Assim, os dez heróis, acompanhados pela misteriosa mulher coberta de roxo e pela estranha mulher vestida de urso abandoraram Monstro na Caverna Alegre e cavalgaram em direção a Tandem-Rum. Elle tinha um cavalo e ofereceu a Maind uma carona neste.
Durante o caminho imperou um silêncio entre os heróis. Na verdade não era um completo silêncio, pois cavalos, pôneis e lhamas geralmente fazem barulho quando cavalgam. O único cavalo que cavalgava sem fazer barulho foi o prêmio principal de um Torneio de Tandem-Rum e não se sabe mais onde ele está. O silêncio vinha, ou melhor, o som não vinha dos heróis, que cavalgavam calados. Todos se sentiam ligeiramente incomodados com a presença de Elle, exceto Samuel, que se sentia incomodado com Maind, e Maind, que se sentia incomodada com Samuel. Não que Elle fosse antipática, mas eles não sabiam nada dela e nem mesmo viram alguma coisa além de seus olhos. Samuel decidiu fazer uma brincadeira para descontrair a todos:
- Pedro, vamos brincar de alguma coisa?
- Do que? - respondeu Pedro.
- De Cavalo Azul! - disse Samuel - Toda vez que alguém ver um cavalo azul este alguém dá um soco de leve nos demais. No nosso caso, podemos apenas fingir que batemos nos que estão nos demais cavalos.
Pedro olhou para o céu por um tempo, como alguém que implora por paciência. Depois, falou:
- Está bem, Samuel, vamos brincar!
- Eba! - comemorou Samuel.
Obviamente passou pela mente de todos que cavalos azuis não existiam, até mesmo na mente de Samuel. Porém o plano do ladino funcionou. Phionna e Ângela riram em voz baixa e começaram a cochichar entre si. Kaco e Fe fizeram o mesmo e, em pouco tempo, o silêncio se desfez em várias conversas distintas e baixas. Elle e Maind conversavam, mesmo assim a rival de Samuel não descobriu informação alguma sobre Elle. Mon se aproximou de Pelicanus e eles discutiam quem deveriam ser os trios para participar do Torneio. Peko começou a cantarolar e compor uma música:
Ó minha doce, ironia!
Arrisque uma chance comigo, minha doce ironia!
Eu abomino quando faço uso de ti,
Faço uso para os demais satirizar!
Odeio como és ríspida e direta!
Detesto o modo que me fazes relaxar!
Ó minha doce ironia!
Repouse o seu amor em mim, minha doce ironia!
Esperarei seres usada pelo destino,
Pelos amigos e por quem mais te apetecer
Te entregarei toda seiva e toda fotossíntese
Do sentimento que em meu coração florescer.
Mesmo depois desta canção, nossos heróis continuaram a conversar. Maind tentou arremessar algumas adagas em Samuel, mas acertou Bóia, a lhama, que disparou, para o desespero de Pedro e Samuel e as risadas dos demais. Peko tentou compor mais uma música, mas foi impedido pelos demais. Pelicanus e Mon chegavam em conclusões sobre as formações dos quatro trios, até que todos avistaram uma carroça de caravana tombada e quatro pessoas gesticulando para os heróis como quem pede por ajuda. Na caravana estava escrito "S.O.S." em letras garrafais, mas como se alguém estivesse escrito à pressas. Sob esta pintura estava escrito algo de difícil leitura, principalmente àquela distância.
- Ajudaremos? - disse Markytus olhando para Pelicanus.
- Por acaso podemos combater o instinto heróico que habita em nosso âmago? - disse o guerreiro ruivo.
- Nossa, como estamos falando bonito! - disse Peko.
- Na verdade, temos algum tempo até o torneio começar! Podemos ajudar. - disse Pelicanus.
- Não acredito! - gritou Pedro - São eles!
- Você sabe quem são eles? - disse Pelicanus.
- Eu sei! Eu sei! Eu sei! Eu sei! Eu sei! - exclamou Pedro - É a famosa Trupe Perrault!
- Oxi, nunca ouvi falar! - disse Markytus.
- Nem eu! - disse Kaco.
- Deve ser um destes grupos artísticos que só o Pedro conhece! - disse Samuel.
Pedro estava correto. O nome oficial do quarteto era "Trupe de Diversas Manifestações Artísticas Perrault" e sua especialidade era o fato de não terem especialidade nenhuma. Havia uma aleatoriedade nos trabalhos do grupo, o que tornava seus espetáculos imprevisíveis. Podia ser uma apresentação circense, teatral, musical, solilóquia e até mesmo uma apresentação muda. Uma idéia arriscada porém genial.
Os heróis se aproximaram da caravana tombada. Haviam várias marcas de uma batalha recente. Um homem os saudou e disse:
- Olá, meu nome é Neo Perrault e sou o dono e líder da Trupe Perrault. Obrigado por atenderem nosso pedido de ajuda.
De trás de Neo saíram apareceram três mulheres belíssimas, e Neo continuou:
- Estas aqui são Stela e Elo, conhecidas como Irmãs Munhoz. Especialistas em acrobacias, jograis, roteiro de novelas e mágicas com baralho. Também são vocalistas quando tocamos alguma coisa. - As irmãs Munhoz fizeram uma reverência aos heróis.
- E esta aqui - prosseguiu Neo - é Flora, especialista em teatro trágico, malabarismos, disparos com estilingues, design de interiores e em descobrir finais de livros. Também vocalista. - Flora fez uma saudação aos demais.
- Oxi, três vocalistas? E você o que faz? - perguntou Markytus.
- Ah, esqueci de dizer! - interrompeu Pedro - A Trupe Perrault também é famosa por ter três vocalistas e nenhum instrumentista.
- Pedro Bergamoso, é você? - gritou Stela.
- Sim, este sou eu! - disse Pedro.
As irmãs Munhoz correram em direção ao ladino e o abraçaram. Os demais assistiam ao que parecia, e era, uma cena de reencontro.
- Estive esperando por você! - disse Elo - Não manda notícias! Não que eu me aflija de preocupações, sei que você sabe se cuidar, mas é cruel não saber como vão as coisas contigo! Se você fizer isto denovo eu pego o estilingue de Flora e te dou um tiro!
- Elo, Stela - disse Pedro - Está tudo bem comigo. Sou procurado em todo o reino de Ledika e fui forçado a participar de um grupo de heróis com uma missão suicida. Nada de muito anormal!
Enquanto Pedro, Elo e Stela trocavam as novas, Pelicanus se voltou para Neo:
- E o que aconteceu aqui? Parece que vocês foram atacados!
- Foi exatamente o que aconteceu! - respondeu Neo - Voltávamos de nosso último trabalho, em Waterloo, em direção ao Torneio de Tandem-Rum. Foi um trabalho fantástico! Waterloo é uma típica cidade de noite de verão, com suas festas, suas bebidas, seu agito e suas pessoas irritadas e com dores de cabeça na manhã seguinte. Gostaríamos de voltar mais vezes e... - Flora cutucou Neo, que se recompôs e prosseguiu - Bem, quando chegamos a este ponto da viagem, nos encontramos sob ataque. Eles chegaram como raposas, nos atacaram como águias, roubaram como guaxinins e nos deixaram como um cão que espera as migalhas do café da manhã de seu dono. Aí resolvemos pedir ajuda e vocês apareceram.
- O correto não seria última apresentação, no local de último trabalho? - perguntou Samuel.
- Na verdade, não foi uma apresentação - disse Flora - Fomos contratados para atacar uma masmorra e devolver os tesouros lá escondidos para um rei ganancioso, mas que nos deu um terço do tesouro. Terço este que agora se encontra em poder daqueles que nos atacaram.
- E em quantos este atacantes eram? - perguntou Pelicanus.
- Quatro - respondeu Neo.
- Apenas quatro? - perguntou Pelicanus.
- Apenas quatro. Nos pegaram de surpresa. - disse Flora.
- Como eram estes quatro? - perguntou Pelicanus.
- Como ele faz perguntas! - disse Flora para Samuel.
- É porque ele ainda não ficou bravo e mandou me calar. - disse Samuel.
- Samuel, cale-se! - disse Pelicanus.
- Não falei? - cochichou Samuel.
- Eles não eram nada originais. Um guerreiro, um clérigo, uma maga e uma ladina. Aquele que aparentava ser o líder era calado, mas cheio de pose. - disse Neo.
- Oxi, será que é o mesmo grupo que enfrentamos em Janver? - disse Markytus.
- Se for, estamos bem preparados contra eles! - disse Mon-Bing.
- Vocês disseram que iam para Tandem-Rum, certo? - disse Pelicanus - Nós também vamos para lá. Será que dá para reaproveitar esta carroça?
- Acho que sim, não estragaram nada dela! Apenas a tombaram e levaram os cavalos. - disse Neo.
- Bem, cavalos nós temos de sobra! Temos até um pônei e uma... - disse Samuel olhando para os cavalos e percebendo a ausência da lhama - Alguém viu a Bóia?
- Bóia? - perguntou Neo.
- É, este é o nome da nossa lhama! - disse Samuel - Creio que um de nós terá que procurá-la! Pedro, você vem comigo?
- Se não for muito incômodo, eu prefero continuar minha conversa com as Munhoz - respondeu Pedro - E, se for muito incômodo, eu ainda prefiro continuar a minha conversa.
- Eu irei com você! - disse Maind.
- Você? - disse Samuel.
- É! Algum problema? Alguém tem que garantir que você apanhe nesta busca. - disse Maind. Samuel fez um olhar reprovador para a garota vestida em pele de urso.
- Eu irei também! Gosto daquela lhama! - disse Ângela.
- Eu também irei! - disse Elle.
- Então está bem, eu irei com Samuel, Maind, Ângela e Elle para garantir que isto não demore. Enquanto isto todos vocês arrumem esta bagunça aqui e armem a carroça - disse Pelicanus. Assim os cinco foram em busca da lhama, enquanto Markytus, Fe, Kaco, Mon-Bing, Phionna, Peko e Pedro permaneceram para ajudar a Trupe Perrault.
Escriturado por: Sir Refevas
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Capítulo 22 – Super Trouper - Parte 2
- Então você resolveu virar um herói? - disse Elo para Pedro, enquanto ambos pegavam cordas e amarravam nas rédeas dos cavalos.
- Não foi uma opção, mas creio que podemos colocar desta forma - disse o ladino.
- Por isto que vim para a Trupe. Aqui posso me arriscar tanto como aventureira, tanto como artista. - disse Elo - Não gosto desta idéia de arriscar minha vida sem a garantia de receber algo em troca.
- Não concordo - disse Markytus - Minha cara amiga do Pedro, é exatamente neste sacrifício que percebemos o altruísmo da pessoa. O heroísmo não vem de salvar princesas, enfrentar monstros, decidir guerras e fazer sucesso com as mulheres. O verdadeiro heroísmo reside no agir em favor dos outros sem interesses pessoais. Quando eu era criança me falaram que a vida era maravilhosa, bonita, mágica. Quando cresci, percebi que não era de todo verdade. Hoje luto para que aquilo que eu acreditava que o mundo era se torne verdade para os outros.
- Eu tenho um sonho! - disse Peko.
- E? - perguntou Markytus.
- Só isto, eu tenho um sonho! É por isto que eu me arrisco em aventuras - disse Peko.
- E você, porque se arrisca em algumas aventuras? - perguntou Kaco para Neo.
- Pelo mesmo motivo que formei a Trupe - respondeu Neo - Dinheiro, dinheiro, dinheiro.
Mon-Bing ajudava Flora a procurar qualquer coisa pertencente a Trupe Perrault que não fora levada pelos assaltantes quando viu um anel no chão, pegou-o e disse:
- Você sabe o que é isto?
- É meu! Me dê! Me dê! Me dê! - disse Flora.
- Claro! É seu! Mas porque tanta euforia? - perguntou Mon-Bing. Neo se aproximou e disse:
- Flora estava procurando por este anel. Anel este que é o artefato que ela mais preza e escondeu para que os ladrões não o vissem.
Markytus avistou o anel de longe e estranhou. Era dourado com uma jóia azul, mas tinha uma forma original que o guerreiro reconhecia de algum lugar mas não lembrava de onde.
Pelicanus, Ângela, Samuel, Maind e Elle haviam se dispersado para procurar algum sinal de Bóia, a lhama, quando Ângela encontrou algumas pegadas e gritou para alertar os demais. Samuel tomou a dianteira e seguiu o rastro do animal gritando:
- Bóia! Bóia! Lhaminha pequenina! Cadê você?
- Ele sabe que o animal não vai entender o que ele fala? - disse Maind para os demais.
- Não seja insensível, Maind. Todos nós falamos com os animais com os quais não apegamos! - disse Ângela.
- Eu ainda acho uma idéia estúpida! - disse Maind.
- Tão ou mais estúpida quanto andar com uma roupa de urso? - disse Pelicanus.
Elle permanecia calada e aquilo incomodava Pelicanus. Samuel continuava a falar incessantemente e aquilo também incomodava Pelicanus. Pouco tempo depois eles encontraram a lhama, mas a situação incomodou Pelicanus:
- Oxi! - gritou Samuel, já influenciado por Markytus.
- Pai amado! - gritou Maind.
- Mamma Mia! - gritou Pelicanus.
Bóia, a lhama estava no meio de quatro figuras familiares: F.M., Katia, Liduc e Frei, que haviam atacado Ângela em busca do seu amuleto. Perto dos quatro haviam dois cavalos que Pelicanus suspeitou que fossem os animais que pertenciam a Trupe Perrault. Mas não foi isto que assustou nossos heróis. O que assustou era que a lhama cuspia nos heróis e conseguia se esquivar dos ataques dos quatro.
- Então resolveram atacar lhamas agora? - disse Pelicanus, aparecendo na frente dos quatro.
- Ah, não! Denovo não! - exclamou Frei.
- Denovo sim! - disse Pelicanus desembainhando sua espada. Logo em seguida todos os demais empunharam suas armas, exceto Bóia que agora cuspia no rosto de Frei.
- Atacar! - gritou F.M.
Neste instante, Liduc arremessou um bumerangue que acertou a cabeça de Ângela, deixando-a desacordada. F.M. era um bom estrategista e sabia que a primeira coisa que se deve fazer em uma batalha e derrubar o oponente mais forte. O que ele não contava é que Pelicanus era muito mais experiente e melhor estrategista.
- Samuel, agora! - gritou Pelicanus.
O ladino entendeu o recado e rapidamente correu para trás de Liduc, roubando-lhe seu bumerangue. Pelicanus correu na direção de Katia, a maga, mas passou direto. Katia se distraiu e tombou após um bumerangue acertar a sua cabeça. Samuel pegou o bumerangue devolta, correu em direção de Katia e usando o bumerangue como clava, golpeu Katia na cabeça apenas para garantir que ela não acordasse. Pelicanus começou um duelo de espadas com F.M. mas gritou:
- Samuel, você pode dar conta do clérigo?
Samuel se esquivava dos ataques de Liduc, quando viu Frei correr na direção de Katia. Samuel deixou Liduc para trás e se preparava para golpear o clérigo quando este tombou após um chute na barriga desferido por Maind.
- Não era para eu acertar o clérigo? - disse Samuel.
- E eu ia perder esta chance de fazer algo melhor do que você? - disse Maind.
- Bem, Pelicanus está cuidando do guerreiro, logo só resta esta ladina aqui - disse Samuel olhando para Liduc - Quer ter a bondade?
- Que tal os dois? - disse Maind.
- Concordo! - respondeu Samuel e ambos correram em direção a Liduc.
Pelicanus bloqueava com sua espada todos ataques da espada de F.M. que, por sua vez, defendia com sua espada todos os ataques de Pelicanus. O guerreiro ruivo se movimentava demais, até que se aproximou de uma árvore e parou. Neste instante F.M. correu para cima de Pelicanus e desferiu um forte ataque. Pelicanus se limitou a bloquear este ataque e a força foi tanta que ambos foram lançados para trás. Pelicanus se escorou na árvore e se protegeu da queda. F.M. caiu aos pés de Elle. Os dois guerreiros não estavam em pé de igualdade. Pelicanus poderia, tranquilamente, decidir este combate em um ou dois ataques, mas não era o que ele queria. O que realmente o guerreiro ruivo queria era uma chance de testar a lealdade de Elle, deixando para ela a chance de decidir o embate e foi o que aconteceu. Elle ergueu F.M., deu uma cotovelada em seu peito e logo depois bateu a cabeça do guerreiro em uma árvore, quando Bóia se aproximou e cuspiu no rosto de F.M. Neste instante Samuel e Maind haviam derrotado Liduc e voltaram para perto dos demais. Todos eles se entreolharam, deram um pequeno sorriso e pegaram Bóia e os dois cavalos.
- Pedro, meu amor, minha vida! Sabia que aprendi a usar zarabatana? - disse Elo.
- Sério? Quando foi isto? - disse Pedro.
- No dia antes de você chegar, ainda em Waterloo! - disse Elo.
- Que legal! Pode me mostrar? - disse Pedro.
- Você tem uma zarabatana aí? - disse Elo.
- Não, não tenho! Você não tem uma? - disse Pedro.
- Não. Eu treinava com a do meu professor! - disse Elo.
- Se não foi para usar, porque você aprendeu? - disse Pedro.
- Você sabe, neste complicado mercado de trabalho devemos nos atualizar e sempre enriquecer nossos conhecimentos sobre quaisquer assuntos, só assim teremos mais chances de ter uma carreira mais próspera! - disse Elo.
- Você leu isto aonde? - disse Pedro.
Neste momento voltaram Pelicanus, montado em um cavalo, Elle e Maind, montadas em outro cavalo, Samuel e a ainda desacordada Ângela, montados na lhama.
- São nossos cavalos! - disse Neo.
- Onde vocês os encontraram? - disse Flora.
- Ao procurar a lhama encontramos aqueles que atacaram vocês. Os derrotamos e assim reavemos seus cavalos - disse Pelicanus.
- Vocês os derrotaram? - disse Flora - Onde eles estão agora? Quero torcer o pescoço deles, um a um. Amarrar os quatro em uma árvore e arremessar brasas de carvão. Vou amarrar os braços deles e...
- Flora, já chega! - disse Neo.
- Eles estão desacordados e vão demorar para recomporem todas as suas idéias. Você tem minha garantia - disse Pelicanus.
- Está anoitecendo. Acho melhor acamparmos por aqui e partirmos amanhã! - disse Pelicanus. Todos aprovaram a idéia, exceto Ângela que estava desacordada.
E assim, nosso heróis e a Trupe Perrault armaram um acampamento com direito a fogueira e, aproveitando um grupo artístico, começaram a cantar. Para suprir a ausência de instrumentistas, Peko ora dedilhava seu bandolim, ora tocava sua shakuhashi. Ele experimentou tocar algumas composições suas mas o ápice foi mesmo a música-tema do Esquadrão dos Animais Coloridos Feraman. Nesta festa, Samuel se aproximou de Pelicanus e disse:
- Eu acho que você deveria confiar mais em Elle.
- Como? - disse Pelicanus.
- Eu percebi que você só foi buscar Bóia conosco porque ainda desconfia dela - disse Samuel.
- Como você descobriu isto? - perguntou Pelicanus.
- Suspeitei. Conhecendo a você, conhecendo a mim. Acho que é o melhor a fazer como equipe. Sinto que Elle é uma boa pessoa! - disse Samuel.
Pelicanus ficou calado. Samuel permanecia calado. Peko tocava alguma canção enquanto algumas pessoas dançavam, outras conversavam e outras faziam ambos. Pelicanus disse:
- Obrigado, Samuel! Porque você não vai dançar?
- Não, muito obrigado! Não sei dançar! Me sentiria muito mal perto destas pessoas. Olhe aquela garota - disse Samuel apontando para Flora - Olhe esta cena! É praticamente uma rainha da dança. Eu sou torto até para atacar com uma adaga.
- Não é o que minha mão recorda - disse Pelicanus, lembrando do episódio ocorrido na Floresta Próxima. Samuel sorriu e tentou dançar um pouco. Markytus tentou dividir a comida que eles ainda tinham com a Trupe Perrault.
A noite foi passando e todos foram se cansando. Markytus e Pelicanus discutiam alguns detalhes dos planos para o Torneio e sobre o misterioso anel que Flora portava. Flora, Stela e Pedro eram os únicos que ainda cantavam e dançavam ao som de Peko. Pelicanus e Markytus terminaram sua conversa e resolveram apagar a fogueira e pedir para todo mundo dormir.
- Bem, chega por hoje! - disse Peko ao parar de tocar.
- Sim! Boa noite a todos! - disse Pelicanus.
- Boa noite também! - disse Stela.
- Até mais! - disse Pedro.
- E obrigado pela música, Peko! - disse Flora.
Todos foram para seus aposentos improvisados e dormiram maravilhosamente bem, exceto Bóia que tentou fugir de novo, mas não conseguiu porque Ângela havia feito uma mágica para reforçar a corda que prendia a lhama a uma árvore.
Escriturado por: Sir Refevas
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